Enquanto boa parte dos estados brasileiros ainda luta para manter a estrutura básica de suas escolas, o Paraná acaba de dar um passo que chama a atenção em todo o país. O governador Ratinho Junior assinou o contrato do programa Mais Escolas Paraná, considerado a maior Parceria Público-Privada (PPP) da educação brasileira. O projeto prevê a construção de 40 novos colégios estaduais em 31 municípios, com investimento estimado em R$ 6,53 bilhões ao longo da concessão e a criação de cerca de 30 mil novas vagas para estudantes.
O anúncio não representa apenas a construção de prédios. Representa uma forma diferente de pensar a educação pública.
Durante décadas, governos costumavam concentrar esforços na contratação de professores e na manutenção das escolas já existentes. O Paraná continua investindo nessas áreas, mas resolveu enfrentar outro problema histórico: a falta de infraestrutura para acompanhar o crescimento das cidades.
A proposta é simples.
O Estado mantém sob sua responsabilidade tudo aquilo que é pedagógico — professores, currículo, gestão educacional e aprendizagem — enquanto a iniciativa privada assume a construção, conservação, manutenção e operação das estruturas físicas das novas unidades escolares. Trata-se de um modelo inspirado em experiências internacionais e que conta com apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Na prática, isso significa que diretores e professores deixam de gastar tempo resolvendo problemas de manutenção predial e podem concentrar seus esforços naquilo que realmente importa: ensinar.
Outro aspecto importante é o planejamento.
As novas escolas serão construídas justamente em regiões que registraram crescimento populacional e aumento da demanda por vagas, evitando que milhares de estudantes precisem enfrentar deslocamentos maiores ou estudar em unidades superlotadas. O programa prevê 692 novas salas de aula e forte expansão da oferta de ensino em tempo integral.
Esse investimento também ajuda a explicar por que o Paraná aparece, cada vez mais, entre os estados que lideram os principais indicadores nacionais.
O governo tem investido simultaneamente em infraestrutura rodoviária, saúde, segurança pública, inovação, ensino técnico, universidades estaduais e educação básica. A PPP das escolas se soma a outras iniciativas recentes, como o programa Escola Mais Bonita, a ampliação da educação em tempo integral, a modernização das unidades escolares e os programas de intercâmbio internacional para estudantes da rede pública.
Do ponto de vista político, a assinatura do contrato também envia uma mensagem importante.
Ela demonstra que a reta final do governo Ratinho Junior não é marcada apenas por inaugurações de obras iniciadas anteriormente, mas pela contratação de projetos estruturantes que produzirão efeitos durante muitos anos.
Os 40 colégios não ficarão prontos durante uma campanha eleitoral.
Eles serão entregues ao longo dos próximos anos e beneficiarão milhares de estudantes, independentemente de quem esteja ocupando o Palácio Iguaçu.
É justamente esse tipo de política pública que diferencia investimentos de curto prazo de projetos de Estado.
A educação dificilmente produz resultados imediatos. Mas toda grande transformação econômica começa dentro da sala de aula.
Ao optar pelo maior projeto de PPP da educação brasileira, o Paraná faz uma aposta clara: investir hoje na infraestrutura escolar para formar uma geração mais preparada amanhã.
E, diante da velocidade com que o mercado de trabalho exige qualificação, tecnologia e inovação, talvez esse seja um dos investimentos mais importantes que um governo pode fazer.
Porque estradas aproximam cidades.
Hospitais salvam vidas.
Mas escolas de qualidade constroem o futuro.
Galeria de Fotos

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

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