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A família Francischini sai das urnas maior do que entrou

Havia quem imaginasse que a disputa entre integrantes da própria família dividiria os votos a ponto de impedir a eleição de alguns...

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Redação05/10/2026
A família Francischini sai das urnas maior do que entrou

A eleição de 2026 deixou um resultado que vai além da votação individual de cada candidato: o grupo político ligado aos Francischini conseguiu eleger quatro nomes da família para o Legislativo paranaense.

Foram dois deputados federais e duas deputadas estaduais. Felipe Francischini e Fernando Francischini conquistaram cadeiras na Câmara dos Deputados, enquanto Flávia Francischini e Lu Bonatto foram eleitas para a Assembleia Legislativa do Paraná.

Havia quem imaginasse que a disputa entre integrantes da própria família dividiria os votos a ponto de impedir a eleição de alguns deles. Não foi o que aconteceu.

Na Câmara, Felipe Francischini renovou seu mandato, enquanto Fernando Francischini conseguiu retornar ao Congresso depois de ter sido cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2021. O retorno de Fernando, portanto, é um dos capítulos mais significativos desse resultado. Ele havia ficado fora das urnas por anos e decidiu voltar justamente em uma eleição na qual também concorria o próprio filho.

Na Assembleia, o resultado foi igualmente expressivo. Flávia Francischini foi reeleita com 63.826 votos, enquanto Lu Bonatto também conquistou uma cadeira, com 39.737 votos. As duas estarão na próxima legislatura da Alep.

O fenômeno merece ser observado porque demonstra que a existência de parentes concorrendo não necessariamente significa, por si só, uma transferência automática ou uma divisão fatal de votos. Cada candidatura precisa apresentar uma identidade eleitoral própria, ainda que exista uma estrutura política, familiar e partidária comum.

No caso dos Francischini, essa estrutura atravessou diferentes partidos e diferentes momentos políticos. Fernando Francischini, depois de anos afastado das urnas, voltou ao jogo eleitoral com discurso fortemente identificado com a direita e com a segurança pública. Felipe construiu sua própria trajetória em Brasília, enquanto Flávia consolidou espaço na política estadual, especialmente em pautas relacionadas à inclusão, ao autismo e às famílias de pessoas com deficiência.

É justamente aí que está o ponto mais importante do resultado.

O que foi eleito não é apenas um sobrenome. São quatro mandatos em duas casas legislativas diferentes.

Isso significa que, a partir de 2027, a família terá presença simultânea na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. E essa presença pode produzir efeitos políticos que ultrapassam a atuação individual de cada parlamentar.

Fernando e Felipe estarão em Brasília. Flávia e Lu Bonatto estarão na Alep. A articulação entre esses espaços pode ampliar a capacidade do grupo de apresentar projetos, disputar recursos, construir alianças e participar das discussões políticas do Paraná.

Mas existe também um desafio.

Ter quatro representantes eleitos é uma coisa. Transformar quatro mandatos em uma força política organizada é outra.

A nova legislatura vai mostrar se o grupo conseguirá atuar de maneira coordenada ou se cada parlamentar seguirá sua própria trajetória. A experiência anterior de Felipe em Brasília e a volta de Fernando ao Congresso criam uma combinação particularmente interessante, enquanto Flávia chega ao novo mandato depois de consolidar espaço dentro da Assembleia.

O resultado também reforça uma característica da política paranaense: os grupos familiares continuam tendo peso relevante nas eleições, mesmo em um cenário de renovação e de forte disputa ideológica.

A nova composição da Alep terá 23 novos deputados entre as 54 cadeiras, uma renovação de 42,6%. Ao mesmo tempo, nomes tradicionais conseguiram manter seus espaços. Flávia Francischini está entre os parlamentares que garantiram a reeleição.

No caso dos Francischini, portanto, a eleição de 2026 não representa apenas a manutenção de uma posição conquistada anteriormente. Representa uma ampliação.

O grupo entra em 2027 com dois representantes em Brasília e dois no Legislativo estadual.

Agora começa a parte mais difícil: transformar votos em mandato, mandato em resultados e presença institucional em influência política.

A eleição terminou. Para os Francischini, porém, o verdadeiro teste começa agora.