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A eleição ainda não começou para metade do Paraná: 54,3% não têm candidato e há uma alta rejeição

Os 54,3% de indecisos não são um detalhe da pesquisa. São o principal personagem da eleição

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Redação04/09/2026
A eleição ainda não começou para metade do Paraná: 54,3% não têm candidato e há uma alta rejeição

A nova pesquisa Grupo RIC/IRG coloca Sergio Moro na liderança da corrida pelo Governo do Paraná, com 38,8% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 27% de Sandro Alex e 21,8% de Requião Filho.

Mas existe um número que merece muito mais atenção do que os 38,8% de Moro: 54,3% dos eleitores não sabem ou não responderam em quem pretendem votar quando os nomes dos candidatos não são apresentados.

  • É mais da metade do eleitorado.
  • E isso muda completamente a leitura da disputa.

Na pesquisa espontânea, Sergio Moro aparece com 18,4%, Sandro Alex com 10,4% e Requião Filho com 9,2%. Ratinho Junior ainda é lembrado por 2,6%, enquanto os demais nomes aparecem com índices residuais.

Ou seja: quando o eleitor precisa buscar o candidato na própria memória, Moro tem menos da metade dos 38,8% registrados no cenário estimulado.

Sandro Alex também apresenta uma diferença importante: passa de 10,4% na espontânea para 27% quando seu nome é apresentado junto ao de Rafael Greca.

Isso mostra que existe um enorme contingente de eleitores que ainda não cristalizou sua escolha.

A verdadeira disputa é pelo eleitor que ainda não escolheu

Os 54,3% de indecisos não são um detalhe da pesquisa. São o principal personagem da eleição.

É justamente esse eleitor que será disputado durante a campanha: aquele que ainda não incorporou nenhum candidato como sua escolha natural.

E isso ajuda a explicar por que pesquisas estimuladas podem produzir uma sensação de definição que a espontânea não confirma.

Quando os nomes são apresentados, Moro lidera com folga.

Quando a lista desaparece, sua vantagem diminui consideravelmente.

A conclusão não é que Moro esteja mal. Muito pelo contrário: ele continua sendo o nome mais lembrado espontaneamente.

A conclusão é que a maior parte do eleitorado ainda está disponível para ser conquistada.

Sandro Alex aparece como o principal nome capaz de encurtar a distância

O desempenho de Sandro Alex merece atenção especial.

Ele aparece com 10,4% na espontânea, apenas 8 pontos atrás de Moro, e chega a 27% no cenário estimulado.

Mais importante: nas simulações de segundo turno, a diferença entre Moro e Sandro é pequena.

  • Moro aparece com 44,8%, enquanto Sandro Alex chega a 40,5%. A diferença é de apenas 4,3 pontos percentuais.

Isso significa que a pesquisa apresenta uma situação curiosa: Moro lidera com vantagem no primeiro turno, mas o cenário muda substancialmente quando a disputa fica reduzida a dois nomes.

E isso acontece em uma eleição na qual mais da metade dos eleitores ainda não definiu espontaneamente seu voto.

Requião é o terceiro nome — e continua distante nos confrontos diretos

Requião Filho aparece com 21,8% no cenário estimulado e 9,2% na espontânea.

Mas, nos cenários de segundo turno, encontra dificuldades maiores.

Contra Moro, aparece com 31,2%, enquanto o senador chega a 57,5%.

Contra Sandro Alex, Requião fica com 28,6%, enquanto Sandro alcança 52,9%.

A pesquisa, portanto, desenha uma disputa na qual Moro e Sandro aparecem como os dois nomes mais competitivos para um eventual segundo turno.

E há outro dado que reforça a força potencial de Sandro

A rejeição.

  • Requião Filho aparece com 43,8% de rejeição e Sergio Moro com 28,6%.
  • Sandro Alex, por sua vez, tem apenas 4,3%.

É uma diferença brutal.

Isso não significa, obviamente, que baixa rejeição se transforme automaticamente em voto. Mas significa que Sandro tem um espaço eleitoral potencialmente maior para crescer sem enfrentar uma barreira de rejeição tão alta.

Somando isso aos 54,3% de eleitores que ainda não escolheram espontaneamente um candidato, fica evidente que a eleição está longe de ser uma disputa resolvida.

A fotografia é de Moro na frente. O filme ainda está começando.

A pesquisa ouviu 1.200 eleitores entre 31 de agosto e 3 de setembro, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Portanto, a fotografia atual é clara: Moro lidera.

Mas a fotografia também revela algo igualmente importante: 54,3% ainda não sabem ou não respondem espontaneamente em quem votarão.

É aí que está a eleição.

Moro começa com a vantagem do nome mais conhecido e da liderança nas pesquisas.

Sandro Alex aparece como o segundo colocado, mas com uma parcela muito menor de rejeição e uma capacidade evidente de ampliar sua votação quando seu nome é apresentado.

Requião Filho tem uma base eleitoral, mas enfrenta uma rejeição que pode limitar seu crescimento.

No fim, a pesquisa do IRG deixa uma mensagem muito clara:

  • a liderança de Moro é real, mas a eleição ainda está longe de estar decidida.

Com mais da metade do eleitorado sem um candidato espontaneamente escolhido, a campanha terá um peso enorme.

E, nesse cenário, quem conseguir transformar desconhecimento em reconhecimento — e reconhecimento em confiança — poderá mudar completamente o desenho da disputa.

Moro largou na frente. Mas 54,3% ainda estão esperando para escolher em quem votar. É justamente aí que a eleição começa de verdade.