Ao anunciar que não disputará a reeleição ao Senado, Flávio Arns encerra um longo ciclo na vida pública. São mais de três décadas ocupando cargos eletivos como deputado federal, vice-governador e Senador. A saída de cena, porém, desperta uma pergunta inevitável: qual grande marca deixou para o Paraná?
Arns construiu sua trajetória associado às pautas da educação, dos direitos das pessoas com deficiência e da proteção social. São bandeiras respeitáveis e que lhe renderam reconhecimento em diferentes momentos da carreira. Mas a política, especialmente no Senado, exige mais do que boas intenções e atuação técnica em nichos específicos. Espera-se protagonismo na defesa dos interesses estratégicos do Estado.
E é justamente nesse ponto que seu mandato deixa uma sensação de vazio.
Nos últimos oito anos, o Paraná viveu debates decisivos sobre infraestrutura, concessões rodoviárias, reforma tributária, logística, ampliação da malha ferroviária, competitividade industrial, agronegócio, inovação e distribuição de investimentos federais. Em quantos desses temas Flávio Arns foi a principal voz do Estado? Em quantas ocasiões liderou grandes articulações nacionais capazes de alterar o destino econômico do Paraná?
A resposta, para boa parte da população, parece ser: poucas.
Enquanto outros senadores transformavam seus mandatos em plataformas de forte exposição política — para o bem ou para o mal — Arns permaneceu discreto. Tão discreto que muitos paranaenses sequer conseguem associar seu nome a uma única grande conquista obtida no Senado. Sua atuação ficou marcada mais pela ausência de conflitos do que pela liderança em pautas estruturantes.
Há quem considere essa discrição uma virtude. Afinal, em tempos de polarização, fazer política sem holofotes pode ser visto como sinal de equilíbrio. Mas existe uma diferença entre discrição e invisibilidade. O Senado é uma das principais arenas de poder da República. Permanecer distante dos grandes debates significa abrir mão de influência em favor do Estado que o elegeu.
A decisão de não buscar um novo mandato parece reconhecer, ainda que indiretamente, essa perda de protagonismo. O cenário político mudou, novas lideranças surgiram e o eleitor passou a exigir parlamentares mais presentes, mais combativos e mais identificados com as grandes discussões nacionais.
Isso não apaga a história de Flávio Arns nem sua contribuição em áreas sociais. Mas também não impede uma avaliação crítica de seu desempenho como senador.
A política é, acima de tudo, uma atividade de resultados. E, quando um mandato de oito anos termina, a pergunta não deveria ser quantos discursos foram feitos, quantas audiências foram realizadas ou quantas comissões foram integradas. A pergunta deveria ser simples: o que mudou para o Paraná por causa da atuação daquele senador?
Se essa resposta demora a aparecer ou exige um grande esforço de memória, talvez ela já contenha, por si só, o balanço mais honesto do mandato.
A aposentadoria política de Flávio Arns encerra uma trajetória respeitável na vida pública. Mas encerra também um período em que o Paraná teve um senador correto, ponderado e institucional — porém distante do protagonismo que um Estado com o peso econômico e político do Paraná poderia esperar de um representante no Congresso Nacional.
A história certamente reconhecerá sua dedicação às causas sociais. Já o eleitor provavelmente continuará procurando, na memória, qual foi a grande obra política de seu mandato.
