As pesquisas divulgadas nos últimos meses revelam dois movimentos simultâneos na disputa pelo Governo do Paraná.
O primeiro parece consolidado: o governador Ratinho Junior encerra seu mandato com um dos maiores índices de aprovação do país. Levantamentos recentes apontam aprovação em torno de 80%, chegando a 84% na pesquisa Radar Inteligência divulgada em 25 de junho.
O segundo movimento ainda está em construção: como — e em que medida — essa aprovação poderá influenciar a escolha do sucessor.
É importante destacar que aprovação de governo e intenção de voto não são a mesma coisa. Um governante pode ser muito bem avaliado e, ainda assim, não conseguir transferir integralmente esse capital político ao candidato que apoia. A literatura sobre comportamento eleitoral mostra que a transferência de prestígio depende de fatores como o grau de identificação entre eleitor e candidato, a visibilidade da associação entre ambos e o contexto da campanha.
Os levantamentos divulgados até agora sugerem que esse efeito começa a aparecer no Paraná.
Na pesquisa Radar Inteligência, quando os entrevistados recebem apenas os nomes dos pré-candidatos, Sandro Alex registra 14,9% das intenções de voto. Quando o instituto informa que ele é o candidato apoiado por Ratinho Junior, o percentual sobe para 22,7%. O mesmo levantamento também testa os apoios de outros candidatos, como Sergio Moro associado a Flávio Bolsonaro e Requião Filho ao presidente Lula.
Esse resultado não permite concluir, por si só, qual será o comportamento do eleitor até outubro. Ele indica, porém, que o apoio do governador tem potencial para influenciar parte do eleitorado quando essa informação é conhecida.
Outro elemento torna a disputa especialmente interessante: o elevado contingente de eleitores que ainda não consolidou sua escolha.
Embora os percentuais variem conforme o instituto, diferentes pesquisas continuam registrando níveis relevantes de indecisão, além de votos brancos e nulos em alguns cenários. Isso significa que uma parcela expressiva do eleitorado permanece aberta à campanha e às informações que serão apresentadas nos próximos meses.
Esse contexto costuma alterar a dinâmica das eleições.
Nas fases iniciais da disputa, candidatos com maior notoriedade pública frequentemente aparecem em vantagem. À medida que a campanha avança, cresce o conhecimento sobre os demais concorrentes, aumentam as associações partidárias e de governo e o eleitor passa a comparar projetos, alianças e propostas. O impacto desse processo varia de eleição para eleição e não pode ser antecipado com segurança.
É justamente por isso que a elevada aprovação de Ratinho Junior passa a ser um fator relevante de observação.
Se o governador mantiver altos índices de avaliação positiva durante a campanha e dedicar parte de seu capital político à candidatura de Sandro Alex, existe a possibilidade de que essa associação influencie uma parcela dos eleitores ainda indecisos. A intensidade desse efeito dependerá da estratégia da campanha, da evolução dos demais candidatos, dos debates e de acontecimentos políticos até o dia da votação.
A eleição paranaense, portanto, parece combinar dois ingredientes importantes: um governador amplamente aprovado e um eleitorado que ainda não definiu integralmente seu voto.
Em cenários como esse, pesquisas sucessivas serão mais úteis do que uma fotografia isolada. Elas permitirão observar se o apoio do governador continuará produzindo crescimento consistente para seu candidato ou se outros fatores passarão a exercer maior influência sobre a decisão do eleitor.
Por enquanto, os levantamentos indicam uma tendência que merece atenção: a alta aprovação do governo Ratinho Junior é um ativo político relevante, mas o seu efeito sobre a sucessão dependerá de quanto desse prestígio conseguirá ser efetivamente convertido em votos ao longo de uma campanha que ainda está em sua fase inicial e na qual uma parcela significativa do eleitorado continua aberta a mudar de posição.
