O PDT escolheu o dia 25 de julho para oficializar a candidatura de Requião Filho ao Governo do Paraná. A coincidência não passa despercebida: na mesma data, o PSD realizará sua convenção estadual para homologar a candidatura do deputado federal Sandro Alex, escolhido pelo governador Ratinho Junior para dar continuidade ao projeto político iniciado em 2019.
Embora as convenções sejam atos partidários previstos no calendário eleitoral, elas acabam simbolizando o início oficial de duas estratégias bastante distintas. De um lado, Requião Filho buscará apresentar o PDT como alternativa ao grupo que governa o Estado. Do outro, Sandro Alex será lançado como o candidato da continuidade de uma gestão que chega ao fim com elevados índices de aprovação e uma ampla base de apoio político.
Para Requião Filho, contudo, o desafio começa antes mesmo do primeiro dia de campanha. Os levantamentos eleitorais divulgados ao longo dos últimos meses mostram que seu nome figura entre os mais conhecidos do eleitorado, mas também entre aqueles que registram os maiores índices de rejeição. Em eleições majoritárias, esse costuma ser um dos indicadores mais difíceis de reverter, porque exige não apenas conquistar novos eleitores, mas convencer parte daqueles que já demonstram resistência à candidatura.
A coincidência das datas também reforça um contraste político importante. Enquanto o PDT inicia uma campanha que terá de reduzir a rejeição e ampliar seu espaço eleitoral, o PSD aposta na força política do governador Ratinho Junior para impulsionar Sandro Alex. A estratégia governista é clara: transformar a elevada aprovação da atual administração em um ativo eleitoral para o candidato da situação, associando sua imagem aos resultados obtidos pelo governo nos últimos sete anos.
Esse cenário torna a missão de Requião Filho ainda mais complexa. Além de enfrentar adversários competitivos, ele precisará convencer o eleitor de que representa uma alternativa mais atraente do que a continuidade de um governo amplamente aprovado. Em campanhas estaduais, o desempenho do governante costuma influenciar diretamente a sucessão, especialmente quando ele participa ativamente da escolha e da promoção de seu sucessor.
A convenção do dia 25 de julho, portanto, será mais do que uma formalidade partidária. Ela marcará o início de uma disputa entre dois projetos distintos: de um lado, a tentativa do PDT de reposicionar um nome tradicional da política paranaense; de outro, a aposta do PSD em manter no Palácio Iguaçu um grupo político que chega à eleição respaldado por uma gestão bem avaliada e por uma estrutura partidária consolidada. O desafio de Requião Filho será demonstrar que há espaço para romper essa lógica. Os números das pesquisas, até aqui, indicam que essa será sua tarefa mais difícil.
